outubro 28, 2006
outubro 26, 2006
A Beleza
A beleza é efémera. Eu sei.
Dolorosamente.
Angustiadamente. Eu sei.
Por isso, finda que for,
No olhar do outro,
A aranha que me sou,
Tecerá, negríssima,
A derradeira teia.
Faça silêncio, o leitor,
E, antes que a tecedeira,
Se despeça das babas, dos fios,
Dos fusos, dê-me a boca a beijar,
Como um amante.
Abrace-me. Faça-me amor,
Como se o tempo a haver não
Houvera, nem fora efémera
A Primavera.
Mas, por favor, não me traga
Flores, nesse Inverno a vir,
Que eu adorno-o de orvalhos
Azulinos e de um vago rumor
De galhos, partindo.
Dolorosamente.
Angustiadamente. Eu sei.
Por isso, finda que for,
No olhar do outro,
A aranha que me sou,
Tecerá, negríssima,
A derradeira teia.
Faça silêncio, o leitor,
E, antes que a tecedeira,
Se despeça das babas, dos fios,
Dos fusos, dê-me a boca a beijar,
Como um amante.
Abrace-me. Faça-me amor,
Como se o tempo a haver não
Houvera, nem fora efémera
A Primavera.
Mas, por favor, não me traga
Flores, nesse Inverno a vir,
Que eu adorno-o de orvalhos
Azulinos e de um vago rumor
De galhos, partindo.
Violeta Teixeira
outubro 21, 2006
Amor-te
Quem me conhece bem, sabe o quão perto a morte
se tem atravessado no meu caminho...
Visitei hoje uma exposição que me vai marcar para sempre.
Que me fez ter vontade de chorar, mal entrei.
Que me transmitiu uma paz incrível, mal saí.
Que me fez sentir um imenso respeito pelo trabalho em si.
Que me fez olhar para a pessoa que amo e dizer:
é tão bom estar viva e aqui contigo...
Que me fez ter vontade de chorar, mal entrei.
Que me transmitiu uma paz incrível, mal saí.
Que me fez sentir um imenso respeito pelo trabalho em si.
Que me fez olhar para a pessoa que amo e dizer:
é tão bom estar viva e aqui contigo...
O fotógrafo alemão Walter Schels e a jornalista Beate Lakotta
acompanharam cerca de 24 doentes terminais nos seus últimos
momentos de vida. Percorreram diversos hospitais, e durante semanas
viveram de perto a dor de quem sabe que o fim está perto.
A exposição Amor-te nasce do fim das vidas de vários doentes.
A exposição Amor-te nasce do fim das vidas de vários doentes.
Ao todo são 44 fotografias, a preto e branco, que fixam dois momentos:
uma fotografia em vida e outra logo após a morte.
A última fotografia, já depois da morte, é quase como um último
A última fotografia, já depois da morte, é quase como um último
suspiro que fica suspenso para sempre num espaço e tempo.
Amor-te conta-te as experiências, os medos e as esperanças
Amor-te conta-te as experiências, os medos e as esperanças
daquelas pessoas, cujo testemunho está imortalizado através das
fotografias de Walter Schels e dos textos da jornalista da revista
Der Spiegel, Beate Lakotta.
Ao visitares esta exposição estás também a contribuir
Uma associação que tem como objectivo ajudar pessoas em fase
terminal e os seus familiares.
De 3 a 28 de Outubro, no Museu da Água -
De 3 a 28 de Outubro, no Museu da Água -
Reservatório da Mãe D'Água das Amoreiras
situado na Praça das Amoreiras, 10.
outubro 16, 2006
Desejo
Desejo-te para que existas em mim
para que definitivamente possa ter-te,
e no meu corpo feito de areia eu desmaio
a cada vaga de espuma branca
que célere avança sobre mim
quando tu,
em artes de feiticeiro,
me invades e invocas aos céus
todos os santuários repletos de desejos.

São iguarias de espécie o que me dás
delicados paladares e exóticos cheiros
e quando, à noitinha em êxtase eu bebo
o sémen da vida que de ti brota,
murmuro então o teu nome na minha cama
para que ele inunde o lençol que me cobre.
Oh! Sim, eu murmuro o teu nome
porque só as coisas murmuradas
são audíveis aos anjos que dançam
essa dança que é ter-te diante de mim,
na imensidão do espaço onde o meu corpo
te aperta sufocando o ar que nos separa.
É o querer agarrar-te para que tu existas,
é o querer ter-te em mim e dentro de mim,
é o querer que os meus olhos possam ver,
mais para além da simples miragem de ti!
G.M.
para que definitivamente possa ter-te,
e no meu corpo feito de areia eu desmaio
a cada vaga de espuma branca
que célere avança sobre mim
quando tu,
em artes de feiticeiro,
me invades e invocas aos céus
todos os santuários repletos de desejos.

São iguarias de espécie o que me dás
delicados paladares e exóticos cheiros
e quando, à noitinha em êxtase eu bebo
o sémen da vida que de ti brota,
murmuro então o teu nome na minha cama
para que ele inunde o lençol que me cobre.
Oh! Sim, eu murmuro o teu nome
porque só as coisas murmuradas
são audíveis aos anjos que dançam
essa dança que é ter-te diante de mim,
na imensidão do espaço onde o meu corpo
te aperta sufocando o ar que nos separa.
É o querer agarrar-te para que tu existas,
é o querer ter-te em mim e dentro de mim,
é o querer que os meus olhos possam ver,
mais para além da simples miragem de ti!
G.M.
outubro 14, 2006
Nunca são as coisas mais simples...
Nunca são as coisas mais simples que aparecem quando as esperamos.
O que é mais simples, como o amor, ou o mais evidente dos sorrisos,
não se encontra no curso previsível da vida.
Porém, se nos distraímos do calendário, ou se o acaso dos
passos nos empurrou para fora do caminho habitual,
então as coisas são outras.
Nada do que se espera transforma o que somos se não for isso:
um desvio no olhar; ou a mão que se demora no teu ombro,
forçando uma aproximação dos lábios.
O que é mais simples, como o amor, ou o mais evidente dos sorrisos,
não se encontra no curso previsível da vida.
Porém, se nos distraímos do calendário, ou se o acaso dos
passos nos empurrou para fora do caminho habitual,
então as coisas são outras.
Nada do que se espera transforma o que somos se não for isso:
um desvio no olhar; ou a mão que se demora no teu ombro,
forçando uma aproximação dos lábios.
.
Nuno Júdice
outubro 12, 2006
*
(...) O amor e o medo não podem andar juntos.
Quem tem medo não entende nada de amor.
Amar é, precisamente, não ter medo.
É acreditar que se possui uma força imensa.
Quem ama sabe que é
também possuído e protegido pelo amor.
E que, por isso, caminha noutra altura;
voa por cima dos gelos, dos salpicos
das ondas, das pedras aguçadas.
Vai por cima de um mundo muito pequeno,
nas asas de um fogo, em mãos de fadas.
P. Geraldo
outubro 04, 2006
Inevitável

Inevitável foi o toque
a procura
a consumação da loucura
a transformar nós dois
em um.
Nada foi comum
Tudo foi vital
anormal...
dentro da normalidade contida
no acto.
Inevitável foi o tacto
e os meus seios foram teus
... tudo... o corpo todo
sentiu-te em gula
nas entranhas
nas loucas manhas
da manhã-festim...
Inevitável
tatear-me em falso
para sentir-te pleno
em mim...
I. M.